Artigo: Educação Ambiental nas Universidades

Segundo Genebaldo (1999), no Brasil, em termos de treinamento institucionalizado, até 1992, existia dois cursos voltados para a educação ambiental. Um em Mato Grosso, Cuiabá, sendo Curso de Especialização em Educação Ambiental e o outro em Catanduva, Paraná, intitulado Curso de Educação Ambiental. Ambos promovidos pelas universidades federais de seus respectivos lugares.

Antes disto, uma visão mais antropocêntrica se fazia mais presente nas universidades brasileiras. Esta realidade é caracterizada por Amaral (1958), ao citar Adof Weber: “o que a natureza oferece é muito pouco, comparado às ilimitadas necessidades do homem. O melhor, que a Natureza deu ao homem para prover-se, é a sua capacidade criadora e seu entusiasmo ativo, juntamente com a perspicácia a isso necessária (…). O Homem que medita e raciocina, deve travar luta com a Natureza e esforçar-se tal modo que, com os elementos e que dispõe, consigas alcançar o maior proveito possível”.

De acordo com Amaral, no ensino superior, voltado para as áreas agrícolas faltavam, evidentemente, os estudos de ecologia animal, vegetal e humana. Imaginemos então as outras áreas.

Nos escritos de Leonardo Boff (2000), já se percebia um claro apelo, as universidades brasileiras são urgidas assumir um desafio: quebrar as barreiras que separam os diversos tipos de conhecimento, sendo estes humanísticos ou científicos, em favor de um futuro comum dos povos e da Terra.

Mas antes isto, em escala global acontecia “a Conferência de Estocolmo, que reconhecia a importância da Educação Ambiental em trazer assuntos ambientais para o público em geral, recomendou o treinamento de professores e o desenvolvimento de novos recursos instrucionais e métodos” (Genebaldo, 1999).

A partir daí, inicia-se uma guinada nos paradigmas educacionais, voltados para a Educação Ambiental.

A educação ambiental passa a ser mais divulgada na mídia e entre os movimentos sociais. Criam-se programas governamentais e não-governamentais de capacitação de professores. Nas escolas, há uma maior preocupação em se abordar a EA e, nas universidades, o tema está sendo inserido em cursos de graduação e pós-graduação, com o oferecimento, inclusive, de cursos de extensão (Guimarães, 2000).

“Os desafios da capacitação de professores para o processo de incorporação da dimensão ambiental nos currículos do ensino fundamental, médio e universitário, impulsionam a reflexão sobre as características dos docentes e discentes responsáveis por essa efetiva implementação, e sobre a instituição-escola, onde deverão produzir-se as transformações que envolvem as atividades dos agentes sociais mencionados” (Medina, 2000).

Moraes (1997), afirma esta questão ao dizer que as universidades brasileiras vivem, já há algum tempo, um processo difícil de reestruturação. A universidade ao mesmo tempo em que forma quadros de degradação, recebendo fortes influências do mercado (somos uma nação capitalista), forma também quadros de conservação da qualidade ambiental, sendo responsável pela formação de técnicos e difusores de valores crítico-humanistas. Completando Moraes, “tudo isso no interior desta sociedade difícil que, numa excelente imagem, combina o cidadão imperfeito com o consumismo mais que perfeito”.

Walter Leal Filho (1999), fez um breve retrato da inserção da Educação Ambiental na educação superior. De um modo geral, para ele, a EA não é tratada com a ênfase que merece, especialmente no ensino universitário.

Na Inglaterra, por exemplo, segundo Leal, estudos acadêmicos em Ciências Ambientais já são oferecidos desde a década de 70. Hoje em dia são mais de 100 universidades que oferecem tais programas. Porém, sabemos que por detrás disto a toda uma concepção histórica.

No Brasil, Leal retrata uma universidade que ainda oferece cursos que especializam agentes em determinadas áreas do meio ambiente, deixando de lado as questões que envolvem o conhecimento sistêmico, ou holístico, como queiram.

Mas em meio a tudo isto existem algumas experiências espalhadas pelo nosso imenso Brasil.

Na Faculdade Brasileira – UNIVIX (Vitória – ES), vem desenvolvendo pesquisas voltadas à avaliação da Percepção Ambiental / Social em segmentos formadores de opinião.

Rebeca Ferreira Brasil (2004), diz que “as conseqüências da degradação ambiental pôs em cheque os princípios e condutas da sociedade moderna. Assim, a mudança de atitudes e posturas diante do meio ambiente fazia-se imprescindível para a sobrevivência da própria humanidade. O Direito muito pode contribuir nessa árdua tarefa, criando leis que regulem, proíbam e punam atividades e interferências potencialmente prejudiciais ao meio ambiente. Entretanto, tudo seria mero paliativo se não existir a consciência da importância da preservação e conservação dos recursos naturais para toda a humanidade. Um instrumento que fomentaria e consolidaria essa consciência ambiental na sociedade é a educação devido, principalmente, seu caráter informativo e de construção do senso crítico nos educandos. Sob todas as formas e modalidades, a Educação Ambiental deve englobar os diversos setores da sociedade. A Universidade, um importante integrante da sociedade, também deve mobilizar-se na consecução desse objetivo ambiental a partir da formação de profissionais ambientalmente responsáveis. O curso de Direito da Universidade de Fortaleza, está promovendo a educação ambiental para as comunidades cearenses através da sensibilização e divulgação de direitos e deveres ambientais mínimos de todo cidadão. Um pequeno degrau está sendo erguido para a construção de uma sociedade consciente e ambientalmente equilibrada.”

O próprio Centro universitário de Caratinga / UNEC, oferece os cursos de pós-gradação em Educação Ambiental e Ciências do Ambiente.

Neste sentido Marilena Chauí (2001), adverte que a “universidade tem hoje um papel que alguns não querem desempenhar, mas que é determinante para a existência da própria universidade: criar incompetentes sociais e políticos, realizar com a cultura o que a empresa realiza com o trabalho, isto é, parcelar, fragmentar, limitar o conhecimento e impedir o pensamento, de modo a bloquear toda a tentativa concreta de decisão, controle e participação, tanto no plano de produção material quanto no da produção intelectual. Se a universidade brasileira está em crise é simplesmente porque a reforma do ensino inverteu seu sentido e finalidade – em lugar de criar elites dirigentes, está destinada a adestrar mão-de-obra dócil para um mercado sempre incerto. E ela própria ainda não se sente bem treinada para isto, donde sua crise”.

Portanto, Araújo (2004), menciona que a universidade, como instituição formadora dos professores da educação básica, não está omissa diante do novo paradigma educacional. As mudanças curriculares, em parte, revelam a preocupação com as novas necessidades sociais. Mas, são os apelos da mídia, da sociedade, sobre as pressões que a tecnologia e a ciência exercem no meio natural, que em algum momento influenciam a prática do professor universitário. Em meio a essa rede de relações – universidade/formação profissional/formação ambiental – emerge o problema central para a formação do professor: como viabilizar a preparação desses futuros professores para introduzirem essa nova mentalidade no cotidiano de sala de aula e implementar a educação ambiental na educação básica?

Ainda segundo Araújo, o professor aprende a ser professor com a sua prática cotidiana, refletindo sobre ela. No entanto, são poucos os ambientes que possibilitam a reflexão coletiva, de modo que a construção do saber restringe-se ao próprio professor. Portanto, a universidade, ao propor estratégia para a inserção da dimensão ambiental nos currículos de formação de professores de ensino formal, deve iniciar e incentivar os licenciandos a investir no desenvolvimento profissional, com especial atenção para a auto-formação.

Dessa forma, as universidades, no que tange à formação de professores para a educação ambiental, têm duas funções: a primeira, formar professores para os distintos níveis de escolaridade, propondo iniciativas de continuidade dessa formação; e, a segunda, investir em pesquisas de práticas educativas e metodológicas fundadas na interdisciplinaridade e na investigação, finaliza Maria Inês de Oliveira Araújo.

Fritzsons e Mantovani (2004), reforçam esta teoria ao dizerem que a formação de universitários com uma visão holística da realidade, é necessário para que se efetive a EA (…). A educação, desde o princípio, se faz de forma muito fragmentada e a universitária não foge a regra. Atualmente, ao menos no Brasil, os currículos dos cursos universitários contemplam especialistas das áreas mais tecnológicas que não se vêem como seres históricos e sociais e também cientistas das áreas sociais, e de humanas, no geral, que não possuem a mínima noção de biologia, de ecologia, ou de aspectos técnicos. Assim, a necessidade de se trabalhar de forma interdisciplinar é imprescindível para sanar as deficiências e não constitui apenas complementaridade.

E Tristão (2004) ainda discute esta questão quando aborda que “a formação universitária não é terminal, pois as práticas pedagógicas e as políticas governamentais constituem contextos importantes dessa formação. A prática de um professor durante sua formação universitária; a troca de experiências com colegas de trabalho; a participação em eventos e cursos; a militância em algum partido político; e a atuação em alguma ONG ambientalista, são situações que colaboram eternamente e evidenciam este processo contínuo de formação.

Para maiores informações visite: http://gatto.eti.br

Fonte: Prof. Walber G. de Souza

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